Um chamado chega como um sintoma, como o sistema que não abre ou a nota que não sai, e raramente chega com a causa. O método de atendimento organiza o caminho entre o sintoma e a causa: o que perguntar, o que comparar, o que testar e o que registrar, para que a conclusão se apoie em fatos e para que outro técnico consiga continuar de onde o atendimento parou.
O relato do problema
Um relato útil diz o que era esperado e o que aconteceu, como "o caixa 01 deveria autorizar a NFC-e e mostra uma rejeição". Algumas informações completam o relato:
- O quê: a mensagem exata, a tela, a operação e o código do erro;
- Onde: o computador, o usuário e a loja;
- Quando: desde quando, em que horários e com que frequência;
- Quanto: um computador ou vários, uma operação ou todas, um usuário ou todos;
- O que mudou: uma atualização, a troca de um equipamento, uma senha nova, uma queda de energia ou uma mudança na rede.
A pergunta sobre o que mudou costuma encurtar o caminho. Um sistema que funcionava tende a continuar funcionando até que algo mude, e as mudanças recentes são um bom ponto de partida.
A triagem
Antes da causa, vem o impacto. Uma loja sem vender pede um contorno imediato, como a contingência, outro caixa ou outra forma de pagamento, e a investigação continua depois. O contorno resolve o atendimento do momento, mas não a causa, e o chamado continua aberto até a causa ser tratada.
A comparação entre o que falha e o que funciona
A comparação entre onde o problema acontece e onde ele poderia acontecer, mas não acontece, revela as diferenças que importam:
- o problema acontece no caixa 01, e não no balcão 01;
- o problema começou ontem, e não existia antes;
- o problema atinge as vendas com cartão, e não as vendas em dinheiro.
Cada diferença é conferida em busca de uma mudança ligada a ela. A causa mais provável é a que explica tudo o que foi observado, inclusive os lugares em que o problema não aparece.
As hipóteses e os testes
Com o relato e a comparação, o atendimento monta as hipóteses e testa cada uma:
- a reprodução do problema, quando é possível, mostra a falha acontecendo e permite testar a correção;
- um problema por vez, porque dois problemas tratados juntos misturam os sintomas;
- as hipóteses mais prováveis antes das raras, e as explicações simples antes das complexas;
- uma mudança por teste, para que o resultado aponte a causa;
- a divisão do caminho em partes, como a rede, o banco e o programa, para localizar o ponto da falha;
- o resultado negativo também conta, porque descarta uma hipótese.
Dois cuidados evitam conclusões erradas. Dois fatos no mesmo horário podem ser coincidência ou ter uma causa comum, e a coincidência não prova a causa. Um sintoma igual ao de um chamado anterior também pode ter outra causa.
A correção e a verificação
A correção tem um plano, com os efeitos previstos, como a cópia do banco antes de um reparo ou a mudança fora do horário de movimento. Quando a correção está fora do alcance do suporte, como uma configuração da operadora ou uma falha no serviço de um fornecedor, o chamado segue para quem pode resolver, com o que já foi levantado.
A verificação confere o fluxo completo, e não só o ponto corrigido: a venda inteira, a nota autorizada e o relatório gerado. Quando a causa pode voltar, uma medida preventiva entra no plano.
O registro
O registro do atendimento reúne o relato, as comparações, os testes com os resultados, a conclusão, a correção e o que ficou pendente. A conclusão diz se a causa foi confirmada ou se é só provável, e um registro claro permite que outro técnico continue o atendimento sem repetir os testes.
No suporte
Diante de um chamado novo, o que mudou e a comparação com um computador que funciona costumam ser as primeiras perguntas. A conclusão registrada diz o que foi observado, o que foi testado e se a causa foi confirmada ou é só provável.
Para guardar
- O relato útil diz o que era esperado e o que aconteceu, com o quê, onde, quando, quanto e o que mudou.
- A triagem trata o impacto primeiro, com um contorno quando a operação está parada.
- A comparação entre onde o problema acontece e onde não acontece aponta as diferenças que importam.
- As hipóteses são testadas da mais provável para a menos provável, com uma mudança por vez.
- A correção é verificada no fluxo completo e registrada com os fatos, os testes e a conclusão.
O usuário relata que o sistema está lento. Quais perguntas transformam esse relato em um ponto de partida?
As perguntas sobre o quê, onde, quando, quanto e o que mudou: qual tela ou operação, em quais computadores, em que horários, desde quando e o que mudou nesse período. Um relato como "a consulta de produtos demora 30 segundos no caixa 01 desde a atualização de ontem, e no balcão 01 continua rápida" já separa o computador, a operação e a mudança.
No mesmo horário em que as vendas do caixa 01 começaram a falhar, o antivírus do servidor da loja atualizou as assinaturas. Isso prova a causa?
Não. Dois eventos no mesmo horário podem ser coincidência ou ter uma causa comum. A hipótese é testada, por exemplo, pelo Histórico de proteção e pela repetição da operação, e só é confirmada quando explica tudo o que foi observado, inclusive os computadores que não falharam.