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A leitura das rejeições

Nota 8 de 11 · 5 min de leitura
Nesta página
  1. As partes de uma rejeição
  2. Os grupos mais comuns
  3. Do código à correção

Uma rejeição é a resposta do autorizador a um documento que ele recebeu, analisou e recusou. A mensagem costuma ser curta, mas o código, a descrição e os detalhes entre colchetes apontam a regra e o campo que falharam, e a correção quase sempre está no cadastro, no cálculo ou na configuração do caixa, e não na comunicação.

As partes de uma rejeição

Uma rejeição traz estas partes:

  • Código: o número do campo cStat, que identifica a regra que falhou;
  • Descrição: o texto do campo xMotivo, que resume a regra;
  • Detalhe: em algumas regras, um complemento entre colchetes, como [nItem:3], que aponta o item do documento, ou a chave de outro documento.

Cada código corresponde a uma regra de validação do Manual de Orientação do Contribuinte e das notas técnicas, com o campo verificado e a condição exigida. Uma rejeição nova em um documento que passava até ontem costuma indicar uma regra nova, um cadastro alterado ou uma configuração mudada no caixa.

O envio do mesmo XML, sem correção, repete a mesma rejeição. Envios repetidos podem levar à rejeição 656, de consumo indevido, que bloqueia por um tempo os pedidos do emitente e atrasa também os documentos corretos.

Os grupos mais comuns

As rejeições mais comuns no varejo se concentram em alguns grupos. No cadastro dos produtos, aparecem estas:

  • 778: o NCM informado não existe na tabela vigente, e a descrição aponta o item;
  • 806: o item tem ICMS cobrado por substituição tributária, mas está sem o código CEST.

No cálculo dos valores, aparecem estas:

  • 610: o total da nota difere da soma dos valores que o compõem, em geral por um desconto, um frete ou um tributo tratado de forma diferente nos itens e no total;
  • 629: o valor de um produto difere do valor unitário multiplicado pela quantidade, em geral por arredondamento.

Na data e na hora, aparecem estas:

  • 703: a data e a hora de emissão estão depois do horário de recebimento no autorizador, o sinal de um relógio adiantado;
  • 704: a data e a hora de emissão de uma NFC-e no modo normal estão mais de 5 minutos atrás do horário de recebimento, o sinal de um relógio atrasado, de um fuso errado ou de uma regra antiga de horário de verão;
  • 228: a data de emissão da NF-e está atrasada além do limite aceito.

Na assinatura e no certificado, aparecem estas:

  • 213: o CNPJ base do emitente difere do CNPJ base do certificado digital;
  • 280: o certificado usado na transmissão é inválido;
  • 297: a assinatura difere da calculada, em geral porque o XML foi alterado depois de assinado.

O CNPJ base, das 8 primeiras posições, é comum à matriz e às filiais. Por isso, o certificado da matriz pode assinar os documentos da filial 01, e o certificado de outra empresa gera a 213.

Na numeração, a 539 indica que já existe um documento do mesmo emitente, com o mesmo modelo, a mesma série e o mesmo número, mas com outra chave, e a descrição traz a chave do documento existente. Ela aparece, por exemplo, quando uma venda enviada sem resposta é gerada de novo com o mesmo número e outra chave. Antes de avançar a numeração, a chave devolvida é consultada: se o documento dela está autorizado e corresponde à mesma venda, ele é o documento válido, e o XML autorizado é recuperado.

Na estrutura do XML, a 225 indica que o lote falhou na validação do schema, em geral por um campo vazio, por um formato errado ou por um grupo que não existe na versão em uso.

Do código à correção

A leitura de uma rejeição segue estes passos:

  1. separar a rejeição de uma falha de comunicação, já que, com código e descrição, o autorizador recebeu e analisou o documento;
  2. localizar o campo e o item apontados pela descrição e pelo detalhe entre colchetes;
  3. descobrir a origem do valor errado, como o cadastro do produto, a configuração tributária, o relógio ou o certificado do caixa;
  4. corrigir a origem, e não só o documento, para que a venda seguinte não repita a rejeição;
  5. gerar e enviar o documento corrigido com o mesmo número, já que o documento rejeitado não ficou registrado.

No suporte

Diante de uma rejeição, convém registrar o código, a descrição completa e o detalhe entre colchetes antes de qualquer tentativa nova. A mesma rejeição em todas as vendas aponta uma configuração, um certificado ou um relógio, e a rejeição em um único produto aponta o cadastro desse produto.

Para guardar

  • Uma rejeição tem um código, uma descrição e, às vezes, um detalhe entre colchetes que aponta o item ou outra chave.
  • O envio repetido sem correção repete a rejeição e pode bloquear o emissor com a 656.
  • As rejeições comuns se concentram no cadastro, no cálculo, na data e hora, no certificado, na numeração e no schema.
  • A 703 e a 704 apontam o relógio ou o fuso do caixa.
  • A 539 traz a chave de um documento existente, consultada antes de avançar a numeração.
Desde a manhã, todas as vendas do caixa 01 são rejeitadas com o código 704. O que conferir?

O relógio, o fuso horário e o ajuste de horário de verão do caixa. A rejeição indica que a data e a hora de emissão chegaram mais de 5 minutos atrás do horário do autorizador, e um relógio atrasado, um fuso trocado ou uma regra antiga de horário de verão produzem esse atraso em todas as vendas.

Uma NFC-e voltou com a rejeição 778, e a descrição aponta o item 2. O que corrigir?

O NCM do segundo item da venda, no cadastro do produto. O código informado não existe na tabela vigente, e a correção no cadastro evita que a rejeição volte nas próximas vendas do mesmo produto. Depois da correção, o documento é gerado e enviado de novo com o mesmo número.

Publicado a partir do Obsidian · FolioPier