Em algumas conexões de Internet, o roteador da empresa não recebe um endereço público, e nenhuma regra configurada no roteador faz as conexões vindas de fora chegarem. Identificar essa situação cedo evita horas de tentativas inúteis.
O que é o CGNAT
Como os endereços IPv4 públicos se esgotaram, muitos provedores não entregam um endereço público a cada cliente. Vários clientes passam a compartilhar o mesmo endereço público do provedor. Esse mecanismo se chama CGNAT, sigla em inglês para NAT em escala de operadora, e funciona como um segundo NAT, dentro da rede do provedor. Com o CGNAT, a saída de uma empresa passa por dois NATs:
- O computador da empresa, com um endereço privado, envia o pacote ao roteador da empresa.
- O roteador da empresa troca o endereço privado pelo endereço da porta WAN, que fica na faixa
100.64.0.0/10e não é público. - O equipamento de NAT do provedor troca esse endereço pelo endereço público, compartilhado com outros clientes.
Por que o CGNAT é decisivo
Uma conexão vinda de fora chega ao equipamento de NAT do provedor e é descartada, porque não existe regra ali para encaminhá-la. Como a empresa não tem acesso a esse equipamento, a conexão nunca chega ao roteador da empresa. É possível configurar tudo corretamente no roteador e, mesmo assim, nada funcionar.
Como identificar
- O endereço da porta WAN do roteador está na faixa
100.64.0.0/10, que vai de100.64.0.0a100.127.255.255. - Esse endereço é diferente do endereço mostrado pelo comando
curl -4 ifconfig.me.
As duas constatações juntas são praticamente conclusivas.
O que fazer
Diante do CGNAT, as alternativas são:
- solicitar ao provedor um endereço IPv4 público, o que às vezes basta pedir e às vezes é um serviço pago;
- contratar uma conexão com endereço público fixo;
- usar uma VPN iniciada a partir do lado que está atrás do CGNAT, em direção a um ponto com endereço público, o que inverte o sentido da conexão;
- usar o IPv6, quando o serviço e as duas pontas suportam essa versão.
O CGNAT não é um problema resolvido no computador nem no sistema. A solução depende do provedor de Internet ou de uma mudança na forma de conexão.
O duplo NAT
O mesmo efeito acontece com dois roteadores ligados em sequência na própria empresa, como o roteador do provedor e um roteador próprio. Nesse caso, existem dois NATs, e a regra de encaminhamento precisa existir nos dois roteadores. Outra solução é configurar o equipamento do provedor no modo bridge, em que esse equipamento apenas repassa a conexão, e deixar o NAT somente para o roteador próprio. O sinal do duplo NAT é a porta WAN do roteador interno mostrar um endereço privado, como um endereço que começa com 192.168 ou com 10.
No suporte
Quando tudo está configurado e nada chega de fora, convém conferir o endereço da porta WAN do roteador antes de revisar as regras de encaminhamento mais uma vez.
Para guardar
- O CGNAT é um NAT feito pelo provedor, e a porta WAN do roteador fica na faixa
100.64.0.0/10. - Um endereço de WAN diferente do endereço visto de fora indica um NAT adicional.
- Com CGNAT, nenhuma regra no roteador da empresa faz as conexões vindas de fora chegarem.
- O duplo NAT exige regra nos dois roteadores ou o equipamento do provedor em modo bridge.
A porta WAN do roteador mostra o endereço 100.71.4.19, a regra de encaminhamento está correta e nada funciona a partir de fora. Qual é o diagnóstico?
CGNAT, porque a faixa 100.64.0.0/10 é usada pelos provedores. A conexão vinda de fora é descartada antes de chegar ao roteador. As alternativas são um endereço IPv4 público com o provedor, uma conexão com endereço fixo, uma VPN ou o IPv6.
A porta WAN do roteador da empresa mostra o endereço 192.168.100.2. O que isso indica?
Indica duplo NAT. Existe outro roteador antes desse, como o equipamento do provedor, que faz um primeiro NAT. A regra de encaminhamento precisa existir nos dois roteadores, ou o equipamento do provedor precisa ser configurado no modo bridge.