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Revisão de redes

Nota 53 de 54 · 15 min de leitura
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  1. Erros comuns
  2. Checklist de diagnóstico
  3. Glossário
  4. Para continuar estudando
  5. Referências

Este capítulo reúne o conteúdo de redes para revisão: os erros mais comuns, o checklist de diagnóstico, o glossário e perguntas que misturam vários assuntos.

Erros comuns

  • Confundir o endereço interno com o endereço público. O servidor usa um endereço privado, e o endereço público fica no roteador.
  • Confundir a porta física do switch com a porta lógica. A porta do switch é a entrada do cabo, e a porta lógica é o número do programa dentro do computador.
  • Culpar a Internet por uma falha local. Se o que funciona dentro da loja também parou, a causa é local.
  • Conferir o endereço sem conferir a máscara. Máscaras diferentes produzem uma comunicação parcial ou intermitente.
  • Ignorar o gateway. Um gateway ausente ou errado deixa tudo o que é local funcionando e tudo o que é externo falhando.
  • Olhar o endereço da interface errada. Computadores com Wi-Fi, VPN ou adaptadores virtuais têm vários endereços.
  • Classificar endereços pelo primeiro número. O endereço 172.32.0.1 não é privado, e o endereço 100.100.10.5 não é um endereço público utilizável.
  • Deixar o endereço 127.0.0.1 em um cliente que acessa outro computador. O cliente se comunica consigo mesmo.
  • Ignorar o bind do serviço. Um serviço que escuta apenas em 127.0.0.1 funciona no servidor e recusa todas as estações.
  • Tratar uma falha de DNS como queda de Internet. Se o acesso pelo endereço funciona e o acesso pelo nome falha, o problema está na tradução de nomes.
  • Esquecer o arquivo hosts. O arquivo hosts tem prioridade sobre o DNS, e o nslookup não mostra o conteúdo desse arquivo.
  • Configurar um endereço fixo dentro da faixa do DHCP. O conflito pode aparecer semanas depois.
  • Deixar o servidor com endereço dinâmico. Um reinício muda o endereço e quebra os clientes e as regras do roteador.
  • Não refazer os mapeamentos depois da troca do servidor. As estações continuam apontando para o computador antigo.
  • Confundir a conexão física da impressora de etiquetas com a origem da solicitação. A impressora fica ligada a uma máquina, mas, quando compartilhada, pode receber trabalhos de outras estações autorizadas. No modelo com LPT1, cada estação que envia etiquetas precisa do mapeamento para a fila correta e das configurações exigidas pelo aplicativo.
  • Usar o ping como prova de que o serviço funciona. O ICMP e a porta do sistema são coisas diferentes.
  • Testar o endereço público apenas de dentro da rede. Sem NAT loopback, o resultado é um falso negativo.
  • Testar apenas a porta inicial de serviços que negociam portas. A segunda conexão continua bloqueada.
  • Desligar o firewall ou o antivírus como solução. A solução é a regra específica.
  • Insistir no encaminhamento de portas atrás de CGNAT. A conexão não chega ao roteador da empresa.
  • Esquecer o segundo roteador no duplo NAT. A regra precisa existir nos dois roteadores.
  • Supor que nada mudou porque ninguém mexeu na configuração. O DHCP, o DDNS, os reinícios e o provedor mudam o ambiente sozinhos.
  • Corrigir um bloqueio entre sub-redes sem confirmar. O bloqueio pode ser uma política de segurança.

Checklist de diagnóstico

O checklist não substitui o raciocínio. O checklist serve para que as verificações básicas não sejam esquecidas.

Ligação e endereço

  • A interface tem um endereço IPv4 compatível com a rede esperada?
  • O endereço que começa com 169.254 foi descartado?
  • A máscara é a da rede?
  • O gateway está configurado e responde?
  • O DNS está configurado e traduz os nomes usados pelo sistema?
  • O cabo, o Wi-Fi e a porta do switch estão funcionando?
  • O adaptador em uso é o esperado?
  • Existe indício de conflito de endereço IP?

Serviço e porta

  • O processo do serviço está em execução?
  • A porta aparece no estado LISTENING, no endereço certo?
  • O PID pertence ao programa esperado?
  • O Firewall do Windows e o firewall do antivírus permitem a porta?
  • O protocolo é TCP, UDP ou ambos?
  • O serviço usa portas adicionais ou uma faixa de portas negociadas?

Compartilhamento e impressão

  • A unidade mapeada aponta para o nome do servidor atual?
  • O usuário tem permissão no compartilhamento e na pasta?
  • O mapeamento da porta LPT1 existe para o usuário do Windows que imprime as etiquetas?
  • O mapeamento da porta LPT1 aponta para o nome atual do computador ao qual a impressora está ligada?

Caminho externo

  • A porta WAN do roteador tem um endereço público, ou existe CGNAT ou duplo NAT?
  • O endereço público visto de fora, com o comando curl -4 ifconfig.me, é o esperado?
  • O nome DDNS aponta para o endereço público atual?
  • A regra de encaminhamento existe, com a porta e o protocolo corretos, e aponta para o endereço interno atual do servidor?
  • O teste externo partiu de uma rede realmente externa?

Glossário

  • Acesso à Rede: a camada do modelo TCP/IP da ligação física e da rede local.
  • Adaptador: o nome que o Windows dá a cada interface de rede.
  • APIPA: o endereço automático do Windows na faixa 169.254.0.0/16, usado quando o DHCP não responde.
  • Aplicação: a camada do modelo TCP/IP dos protocolos usados pelos programas.
  • ARP: o protocolo que associa endereços IPv4 a endereços MAC na rede local.
  • Bind: o vínculo de um serviço a um endereço e a uma porta.
  • Bit: a menor unidade de informação, que vale 0 ou 1.
  • Broadcast: o envio para todos os equipamentos da rede local de uma só vez.
  • CGNAT: o NAT feito pelo provedor, com um endereço público compartilhado entre vários clientes.
  • CIDR: a notação com barra que indica quantos bits formam a parte da rede.
  • Cliente: o papel do processo que inicia o pedido.
  • CLOSE_WAIT: o estado em que o outro lado encerrou a conexão e o programa local ainda não encerrou a sua parte.
  • Concessão: o período em que a configuração entregue pelo DHCP é válida.
  • DDNS: a atualização automática de um nome quando o endereço público muda.
  • DHCP: o protocolo de distribuição automática da configuração de rede.
  • DNS: o sistema de tradução de nomes em endereços.
  • DROP: o descarte do tráfego sem resposta.
  • Duplo NAT: dois roteadores com NAT ligados em sequência.
  • Endereço de rede: o primeiro endereço de uma faixa, que representa a própria rede.
  • ESTABLISHED: o estado de uma conexão TCP aberta.
  • Estação: o computador utilizado diretamente por uma pessoa.
  • Firewall: o mecanismo que permite, bloqueia ou inspeciona o tráfego conforme regras.
  • Gateway: o endereço do roteador da rede local, o ponto de passagem para as outras redes.
  • Handshake TCP: a troca inicial das mensagens SYN, SYN/ACK e ACK, que estabelece a conexão.
  • Hosts: o arquivo local de tradução de nomes, consultado antes do DNS.
  • ICMP: o protocolo de mensagens de controle, usado pelo ping.
  • Interface: o ponto de ligação de um computador com uma rede.
  • Internet: a camada do modelo TCP/IP dos endereços IP e do caminho entre as redes, e também a rede mundial formada pela interligação de redes.
  • IP: o endereço lógico de uma interface.
  • IP privado: o endereço das faixas reservadas para uso interno.
  • IP público: o endereço único e roteável na Internet.
  • IPv6: a versão do protocolo IP com endereços de 128 bits.
  • Link local: o endereço IPv6 que começa com fe80 e vale apenas na rede local.
  • LISTENING: o estado de um serviço à espera de conexões em uma porta.
  • Loopback: o endereço do próprio computador, na faixa 127.0.0.0/8.
  • LPT1: o nome da antiga porta paralela de impressora, que o comando net use pode associar a uma impressora compartilhada.
  • MAC: o identificador da interface na rede local, normalmente gravado pelo fabricante, mas que pode ser alterado por software.
  • Máscara: a configuração que separa, no endereço IPv4, a parte da rede da parte do equipamento.
  • Métrica: o custo de uma rota, usado no desempate entre rotas igualmente específicas.
  • Modem: o equipamento que recebe a conexão do provedor.
  • Modo bridge: o modo em que o equipamento do provedor apenas repassa a conexão, sem fazer NAT.
  • MTU: o maior tamanho de pacote que passa por uma ligação sem fragmentação.
  • NAT: a tradução de endereços e portas entre a rede interna e a rede externa.
  • NAT loopback: a capacidade de acessar o próprio endereço público a partir da rede interna.
  • Octeto: um grupo de 8 bits.
  • ONT: o equipamento que recebe a conexão do provedor nas ligações por fibra.
  • Pacote: a unidade de dados da camada Internet, com os endereços IP de origem e de destino.
  • PID: o número que identifica um processo no Windows.
  • Port forwarding: o encaminhamento de portas, regra que leva uma porta do endereço público até um destino interno.
  • Porta do switch: a entrada física onde se encaixa um cabo.
  • Porta lógica: o número que identifica o programa de origem ou de destino dentro do computador.
  • Processo: um programa em execução.
  • Protocolo: um conjunto de regras de comunicação.
  • Quadro: o bloco de dados da rede local, com os endereços MAC de origem e de destino.
  • Recusa: a resposta de que a conexão não foi aceita.
  • Rede local: a rede que liga os equipamentos de um mesmo local.
  • REJECT: a recusa explícita do tráfego por um firewall.
  • Reserva no DHCP: a regra que entrega sempre o mesmo endereço a um endereço MAC.
  • RFC: o documento que define um protocolo ou uma regra de funcionamento da Internet.
  • Rota padrão: a rota usada para qualquer destino sem uma rota mais específica.
  • Roteador: o equipamento que encaminha pacotes entre redes diferentes.
  • Roteável: o endereço que os roteadores da Internet conseguem encaminhar.
  • RST: a mensagem TCP de recusa ou de encerramento abrupto da conexão.
  • Servidor: o papel do processo que aguarda e atende os pedidos, e também o computador dedicado a atender os demais.
  • SMB: o protocolo de compartilhamento de arquivos e impressoras do Windows.
  • Stateful: o firewall que acompanha as conexões abertas e libera as respostas dessas conexões.
  • Sub-rede: uma divisão lógica de uma rede.
  • Switch: o equipamento que interliga os equipamentos da rede local por meio dos endereços MAC.
  • SYN_SENT: o estado de uma tentativa de conexão ainda sem resposta.
  • Tabela de rotas: a lista que define por qual saída cada destino é alcançado.
  • TCP: o protocolo de transporte com conexão e confirmação de entrega.
  • Tempo esgotado: o fim da espera sem resposta, também chamado de timeout.
  • TIME_WAIT: o estado de uma conexão encerrada há pouco tempo.
  • TLS: a camada de segurança que protege conexões como as do HTTPS.
  • Transporte: a camada do modelo TCP/IP da comunicação entre programas, com o TCP, o UDP e as portas.
  • UDP: o protocolo de transporte sem conexão.
  • Unidade mapeada: a letra de unidade associada a um caminho de rede.
  • VLAN: a rede virtual que divide as portas de um switch em grupos isolados.
  • VPN: o túnel que cria uma comunicação privada entre redes através da Internet.
  • WAN: o lado do roteador ligado ao provedor.

Para continuar estudando

  • Modelo OSI: as sete camadas e a relação delas com as quatro camadas do modelo TCP/IP.
  • Wireshark: a observação do tráfego real, com as mensagens SYN, as respostas, as retransmissões, o DNS e o ICMP.
  • Planejamento de endereços: a divisão de uma faixa em várias sub-redes para uma rede maior.
  • Configuração de VLANs: a separação das redes virtuais em switches gerenciáveis.
  • Active Directory: a dependência do DNS, da autenticação e das políticas em redes com domínio.

Referências

As referências a seguir reúnem a documentação oficial dos principais assuntos de redes. RFC, sigla em inglês para pedido de comentários, é o nome dos documentos que definem os protocolos da Internet. A maior parte do material está em inglês, e as páginas da Microsoft abrem no idioma do navegador, em português quando há tradução.

Fundamentos, endereços e transporte

Serviços e recursos da rede

Comandos e ferramentas de diagnóstico

No suporte

Quatro informações decompõem qualquer comunicação:

  • a origem, com o endereço e a interface de saída;
  • o destino, com o endereço ou o nome traduzido;
  • o serviço, com o protocolo e a porta;
  • o caminho, que passa pela rede local, pelo roteamento e pelo NAT, pela rede remota e chega ao servidor.

Quando as quatro informações estão claras, a falha tem poucos lugares para se esconder.

Para guardar

  • ipconfig: qual é a configuração deste computador?
  • ping: o destino responde ao ICMP?
  • tracert: por quais roteadores o caminho passa?
  • nslookup: qual endereço o DNS devolve para o nome?
  • arp: quais endereços MAC estão associados aos endereços IP da rede local?
  • route print: por qual saída cada destino é alcançado?
  • netstat: quais portas estão abertas, em qual endereço e por qual processo?
  • Test-NetConnection: a conexão TCP abre nessa porta?
  • telnet: a conexão abre e, nos protocolos de texto, o serviço responde?
  • curl e sftp: o protocolo responde e aceita a credencial?
Desde segunda-feira, o caixa 01 e os balcões não acessam o banco de dados, mas no próprio servidor da loja o sistema abre. No fim de semana, faltou energia. Quais duas causas investigar primeiro?

Um servidor com endereço dinâmico, que mudou depois do reinício, enquanto as estações procuram o endereço antigo. E um banco de dados MySQL que aceita conexões apenas no loopback, o que produz o mesmo sintoma. O ipconfig e o netstat, executados no servidor, separam as duas causas.

A filial não alcança a matriz, e a porta WAN do roteador da matriz mostra o endereço 100.64.12.9. Por que revisar a regra de encaminhamento não resolve?

A porta WAN na faixa 100.64.0.0/10 indica CGNAT: a conexão é descartada no provedor antes de chegar ao roteador. As saídas são um endereço público contratado com o provedor, uma conexão com endereço fixo, uma VPN ou o IPv6.

O teste da porta 3306 a partir do caixa 01 passa, mas o sistema mostra um erro de acesso negado para o usuário do banco de dados. Em qual categoria de falha e em qual camada está o problema?

Na categoria em que a conexão abre, mas não funciona, na camada de Aplicação. A rede e a porta estão funcionando, e o problema está no usuário, na senha ou na permissão no banco de dados.

Outro funcionário passou a usar o computador ao qual a impressora de etiquetas está ligada, com o próprio usuário do Windows, e as etiquetas deixaram de sair. A impressora está ligada e compartilhada. O que explica a falha?

O mapeamento da porta LPT1 pertence ao usuário do Windows que o criou. O novo usuário não tem esse mapeamento, e o comando net use precisa ser executado também na sessão desse usuário.

Publicado a partir do Obsidian · FolioPier